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Os 7 filmes obrigatórios para ver no Doclisboa 2026
Uma retrospectiva dedicada a Lino Brocka, o nome mais importante do cinema das Filipinas, é um dos principais acontecimentos do DocLisboa 2026, que se realiza de 15 a 25 de Outubro na Culturgest, São Jorge, Ideal e Cinemateca. No total serão vistos 198 filmes de 51 países, entre os quais 32 títulos portugueses. Há 34 estreias mundiais, 13 internacionais e três europeias. A Competição Internacional e a Portuguesa mostram 11 fitas cada. Os convidados da secção Riscos são a francesa Sophie Roger e o filipino John Torres, e a Palestina está no centro do programa da secção Da Terra à Lua. No âmbito da Mostra Espanha, a secção Heart Beat lança o seu foco sobre Jonás Trueba, que inclui a exibição do novo Vistillas. Percorremos a programação desta 24.ª edição e seleccionámos sete filmes essenciais.
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Os filmes em cartaz esta semana, de ‘Digger’ a ‘NAZA’
Tanto cinema, tão pouco tempo. Há filmes em cartaz para todos os gostos e de todos os feitios. Das estreias em cinema aos títulos que, semana após semana, continuam a fazer carreira nas salas. O que encontra abaixo é uma selecção dos filmes que pode ver no escurinho do cinema, que isto não dá para tudo. Há que fazer escolhas e assumi-las (coisa que fazemos, com mais profundidade nas críticas que pode ler mais abaixo nesta lista). Nas semanas em que há estreias importantes de longas-metragens no streaming, também é aqui que as encontra. Bons filmes.
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As estreias de cinema em Outubro, de ‘Digger’ a ‘O Veredito Social’
O calendário de estreias de cinema é vasto e obriga a escolhas. Entre produções há muito esperadas, pérolas insuspeitas e títulos que chegam sem grande alarido, há muito para ver nas próximas semanas. Seleccionámos oito filmes que justificam a ida ao cinema em Outubro. Se estes não lhe bastarem, pode sempre contar com propostas fora do circuito comercial: os festivais e ciclos de cinema em Lisboa continuam a dar personalidade, vanguarda e memória à agenda da cidade, onde não faltam salas de cinema entre as melhores do mundo e para todos os gostos.
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Parada de terrores: 6 filmes a não perder no MOTELX
O MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa apaga 20 velas no bolo de aniversário este ano, e celebra a data com a maior edição de sempre, que decorre entre 3 e 13 de Setembro, no Cinema São Jorge e na Cinemateca. Serão exibidos mais de 170 filmes vindos de 40 países, em 145 sessões. O centenário de Roger Corman é assinalado com a presença da sua filha Julie Corman (que dará uma masterclass sobre o pai e a sua obra) e a exibição de dois filmes. O Prémio Mestre do Terror vai ser entregue ao realizador italiano Sergio Martino, do qual também será vista uma pequena selecção de filmes na secção Suite 13, e com o qual haverá uma conversa aberta ao público; e o Prémio Noémia Delgado irá para a cineasta sueco-portuguesa Solveig Nordlund, de quem serão projectados cinco títulos, entre longas e curtas-metragens.
A nova secção Lost in Europe, criada em parceria com a Cinemateca Portuguesa e que pretende explorar cinematografias de terror pouco representadas na história do género, estreia-se este ano no MOTELX com o tema “Terror por Detrás da Cortina de Ferro”, sendo composta por seis filmes rodados antes da queda do Muro de Berlim em países comunistas submetidos a uma cerrada censura estatal. Na secção Falar Sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), uma parceria do festival com o Goethe-Institut Portugal, passam duas fitas de Jörg Buttgereit (que dará uma masterclass) e uma de Werner Herzog, através das quais se podem fazer reflexões sobre a morte. Já a secção Quarto Per

IndieLisboa 2026: 10 filmes a não perder no festival
O 23.º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema de Lisboa decorre entre 30 de Abril e 10 de Maio, apresentando um total de 241 filmes nas habituais secções, entre curtas e longas-metragens, de ficção, documentais, de animação experimentais, com o selo do cinema independente. Destes, 29 serão vistos na Competição Nacional (oito longas e 21 curtas). A retrospectiva deste ano é dedicada ao Mockumentary, o documentário falso, simulado ou satírico, com o subtítulo Isto Não é Um Documentário. Para o ajudar a navegar num dos maiores festivais de cinema de Portugal, seleccionámos dez filmes imperdíveis.
Espalhada por vários espaços da cidade, da Culturgest à Cinemateca, dos cinemas São Jorge, Fernando Lopes e Ideal à Piscina da Penha de França, a programação completa do IndieLisboa 2026 pode ser consultada aqui.
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Festa do Cinema Italiano: os melhores filmes em cartaz
É entre 9 e 19 de Abril que decorre a 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano. Em Lisboa, a programação regressa aos cinemas São Jorge, UCI El Corte Inglês e à Cinemateca, com 12 filmes em antestreia nacional e um variado panorama do cinema italiano contemporâneo. O evento assinala os 50 anos da morte de Pasolini com o ciclo Pier Paolo Pasolini – Raridades, assim como da inesquecível comédia Feios, Porcos e Maus. Claudia Cardinale, que morreu em 2025, é homenageada. Na secção Cinema Transfronteiriço, está em destaque a Eslovénia.
Entre os eventos paralelos, contam-se uma oficina criativa para crianças destinada à criação de cartazes de cinema, stand-up comedy italiana, colóquios ou conversas com convidados. Haverá também as habituais extensões a uma série de cidades, começando pelo Porto, de 9 a 11 de Abril. Seleccionámos seis fitas e uma retrospectiva de entre toda a oferta. A programação completa e demais informações podem ser consultadas aqui.
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Erros que ficaram para a história na entrega dos Óscares
A cerimónia dos Óscares não é perfeita e também se faz de falhas e erros. A mais recente, e provavelmente a mais grave, aconteceu em 2017, quando houve uma troca de envelope na entrega do prémio de Melhor Filme. O erro demorou a ser corrigido e só quando a equipa de La La Land – A Melodia do Amor já estava em palco, com os discursos de agradecimento a decorrer, é que se percebeu que o verdadeiro vencedor era Moonlight. Ao longo dos anos, porém, não foi caso único. Entre trocas de nomes e momentos insólitos – incluindo um homem nu em palco –, a cerimónia soma vários episódios embaraçosos.
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As actrizes e os actores com mais Óscares
Desde a primeira cerimónia dos Óscares, em 1929, centenas de actores e actrizes receberam a prestigiada estatueta dourada. No entanto, repetir o feito é bem mais raro: pouco mais de quatro dezenas de intérpretes conseguiram duas vitórias ao longo da carreira. Ultrapassar esse número é ainda mais excepcional. Katharine Hepburn continua a ser a mais premiada de sempre, com quatro Óscares de Melhor Actriz, conquistados entre 1934 e 1982. Logo atrás surgem Frances McDormand, Daniel Day-Lewis, Meryl Streep, Jack Nicholson, Ingrid Bergman e Walter Brennan. A lista pode crescer já na cerimónia de 2026, caso Sean Penn (Batalha Atrás de Batalha) e Emma Stone (Bugonia) vençam nas respectivas categorias.
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As únicas comédias que ganharam o Óscar de Melhor Filme
Tal como a maior parte das cerimónias de prémios, os Óscares tendem a privilegiar um certo tipo de filmes – mais sérios, por assim dizer – em detrimento de quase tudo o resto. Embora haja sempre excepções, as comédias raramente estão nas boas graças da Academia de Hollywood. Uma tendência que foi recentemente contrariada, em 2025, graças a Anora. De resto, ao longo dos anos, só oito filmes cómicos levaram para casa o cobiçado Óscar de Melhor Filme. Frank Capra, Leo McCarey, Billy Wilder, Tony Richardson, Woody Allen, a dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert, e Sean Baker foram os realizadores dos filmes premiados.
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Grandes actrizes e actores que nunca ganharam o Óscar
Hollywood continua a ser implacável com algumas das caras mais conhecidas do cinema. Timothée Chalamet, a jovem coqueluche da indústria, espera conseguir contrariar a tendência este ano. Na cidade dos anjos contam-se histórias que traduzem amores e desamores da condição humana, histórias de força e superação, histórias de desastre e redenção, para que nos seja possível suportar a existência. Mas, no fim, há mais em jogo do que uma linha que nos estremece ou um monólogo que nos acompanha como bíblia para o resto dos dias. A estatueta dourada é a bitola que separa o que é bom do que é divino, mas nem sempre é consensual. Esta é a lista das actrizes e dos actores que nunca ganharam o Óscar.
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Um ano doce: as melhores séries portuguesas de 2021
O ano de 2021 foi marcado pela produção da primeira série portuguesa para a Netflix, Glória, uma história de espionagem passada em Portugal no tempo da Guerra Fria e antes do 25 de Abril. Não foi a única. Houve outras séries que se destacaram na produção nacional, mostrando que o investimento na ficção televisiva e para streaming começa a apresentar resultados apreciáveis, com a RTP a funcionar como catalisador na maior parte dos casos. Ainda assim, continuam a estrear-se muitos títulos medíocres ou esquecíveis. Pesando prós e contras, estas são as melhores séries portuguesas exibidas este ano.
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Os filmes que ganharam mais Óscares (e onde os ver)
Ben-Hur, Titanic e a terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis lideram a lista dos filmes com mais estatuetas douradas na história dos Óscares, cada um com 11 prémios. A versão de 1961 de West Side Story – Amor sem Barreiras, distinguida com dez, é outro dos filmes em destaque. Apesar de hoje em dia a Academia optar por dividir os prémios por várias produções –, existem títulos que, teoricamente, podem ultrapassar o recorde em 2026. Pecadores fez história ao tornar-se o filme com mais nomeações de sempre (16). O que não quer dizer nada: nem sempre os filmes com mais nomeações são os que saem da cerimónia com mais prémios. Outros filmes com oportunidade para entrar neste top incluem Batalha Atrás de Batalha (13 nomeações), Frankenstein, Marty Supreme e Valor Sentimental (todos com nove).
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Merci d’être venu
Há já bastantes anos, especialmente desde Le Filmeur (2005), que o francês Alain Cavalier tem vindo a dedicar-se ao chamado “cinema do eu”, registando o seu dia-a-dia, o mundo em redor, a sua companheira Françoise, as pessoas que cruza, os animais e a natureza. Em Merci d’être venu, o filme de encerramento do Doclisboa 2026, o realizador de 95 anos despede-se do cinema explorando mais uma vez este registo intimista e autobiográfico, relembrando a sua vida como homem e como realizador.

Nino – Un Film Su Nino Rota
Fellini, Luchino Visconti, Franco Zeffirelli e Francis Ford Coppola foram alguns dos realizadores para cujos filmes Nino Rota compôs bandas sonoras. Mas Rota, que assinou a música de mais de 150 fitas, escreveu também óperas, música de câmara e peças para orquestra e para bailados. Narrado por Sting, Nino – Un Film Su Nino Rota explora as circunstâncias pessoais, artísticas e espirituais que moldaram a sua vida e a sua devoção à música. Walter Fasano realiza.

Biografía de Jorge Luis Borges
Um dos acontecimentos do Doclisboa 2026 é a exibição deste descomunal e exaustivo documentário biográfico (tem quase cinco horas e meia de duração) sobre o genial escritor argentino Jorge Luis Borges, e que foi estreado no Festival de Veneza em Setembro. Para o rodar, o realizador Mariano Llinás foi em busca dos documentos que Borges deixou, dos livros que leu e dos lugares por onde passou, para decifrar e explicar a vida de um homem cuja causa foi a literatura.

Guerrilha no Asfalto
É um realizador português, Edgar Pêra, que tem honras de abertura do Doclisboa 2026, com Guerrilha no Asfalto. Depois de Projecto Global, de Ivo Ferreira, também este filme tem a ver com o terrorismo de extrema-esquerda. Mas neste caso estamos perante uma ficção em que um cineasta e a sua equipa tentam arranjar financiamento para rodar uma fita que adapta um livro da autoria de um guerrilheiro, baseado em acontecimentos extraordinários ocorridos na década de 80.

Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie
A 12 de Agosto de 2022, um homem tentou assassinar à facada Salman Rushdie, quando este ia dar uma palestra numa instituição educativa dos EUA. O escritor perdeu o uso de uma vista e ficou com lesões nas mãos e no fígado, tendo mais tarde escrito um livro sobre o sucedido, Faca: Reflexões Sobre um Atentado. Neste documentário, Alex Gibney conta a recuperação física, emocional e psicológica do autor.

A Ilha Esquecida
Filme de animação nipónico-americano em que duas jovens melhores amigas, Jo e Raissa, ficam retidas no mundo fantástico da ilha esquecida de Nikali.

Fuck the Polis
Filme da realizadora portuguesa Rita Azevedo Gomes. Agora mais idosa, Irma refaz uma viagem à Grécia, 20 anos após a original, quando julgava ter o seu destino traçado, estando desta vez acompanhada por três jovens.

Sacrifício
Chris Evans, Anya Taylor-Joy, Salma Hayek, John Malkovich e Vincent Cassel interpretam Sacrifício, de Romain Gavras, em que uma estrela de cinema é feita refém por uma activista radical e seus seguidores, durante uma gala de beneficência cheia de milionários e celebridades.

A Ovelha Choné: Trapalhada na Quinta
A terceira longa-metragem animada da Ovelha Choné passa-se pouco antes do Dia das Bruxas, quando a maior confusão se instala na quinta e na aldeia, após o Agricultor ter aplicado em si inadvertidamente uma poção que aquela criou para acelerar o crescimento das abóboras das ovelhas, transformando-se numa criatura muito peluda que vai espalhar o pânico nas redondezas. O cinema de terror clássico é invocado da melhor e mais desopilante maneira para esta nova aventura da Ovelha Choné, do desastradíssimo Fazendeiro e dos restantes animais da quinta, com o selo de qualidade da Aardman e realização de Steve Cox e Matthew Walker. Um dos melhores filmes de animação do ano, sem pestanejar nem balir.

Verity
Michael Showalter assina este thriller sobre uma escritora em dificuldades financeiras, que aceita concluir os livros de uma série de sucesso que a autora best-seller de policiais Verity Crawford não pode terminar, após ter tido um estranho acidente. Com Dakota Fanning, Anne Hathaway e Josh Hartnett. Baseado num livro de Colleen Hoover.

Drácula
Do realizador romeno Radu Jude (Não Esperes Demasiado do Fim do Mundo, Kontinental’25) pode-se esperar tudo. Até mesmo uma leitura completamente fora dos gonzos da figura e do mito de Drácula, passada na Transilvânia dos nossos dias. E envolvendo Inteligência Artificial, terror clássico, sátira à mercantilização da cultura e ao mundo da política, greves de trabalhadores, uma história de amor, imagens kitsch, mais Drácula a furar uma greve e muito, muito sangue.

Memórias do Cárcere
Adaptação do livro de Camilo Castelo Branco que recorda o tempo em que esteve preso na Cadeia da Relação do Porto (tal como a sua amante, Ana Plácido), acusado de adultério, entre Outubro de 1860 e Outubro de 1861. A obra foi escrita em 40 dias e publicada em 1862. Camilo (Albano Jerónimo) descreve as péssimas condições da cadeia e conta as histórias que ali ouviu aos outros presos, e as duas visitas que lhe fez o rei D. Pedro V. Também com Maria João Bastos, Paulo Pires, João Pedro Vaz, Afonso Pimentel e Marcelo Urgeghe, num filme de Sérgio Graciano.
News (480)

‘Digger’: Tom Cruise, petróleo e uma calamidade global
Quando Tom Cruise participou, em 2008, no filme Trovão Tropical, de Ben Stiller, fazendo o papel de Les Grossman, um quase disforme produtor cinematográfico e executivo de um grande estúdio de Hollywood, teve de ser submetido a várias incómodas horas de maquilhagem até a personagem estar devidamente composta e totalmente credível do ponto de vista físico – e o actor ter ficado quase irreconhecível. Em Digger, a nova fita do realizador mexicano Alejandro González Iñarrítu, Cruise ia desempenhar a personagem do título, Digger Rockwell, um envelhecido e gordo magnata do petróleo texano, o que lhe ia exigir mais sofrimento na cadeira dos especialistas em maquilhagem e nos respectivos efeitos especiais.
O papel ia exigir que fossem aplicados a Tom Cruise próteses faciais, próteses dentárias, rugas artificiais, uma peruca e um chamado fat suit, cheio de enchimentos, para o tornar mais gordo. Da primeira vez que toda esta maquilhagem e todas estas próteses e chumaços lhe foram postos, o trabalho durou seis horas. E tirar tudo após as filmagens levaria mais duas horas. Cruise estava decidido a cortar drasticamente nestas seis horas, pelo que trabalhou com a equipa tendo ao lado um técnico com um cronómetro, e comunicando-lhe que a sua ideia era conseguir reduzir o processo a uma hora. Ninguém acreditava que fosse possível, mas todos acabaram por conseguir maquilhá-lo nos 60 minutos desejados pelo actor. Que comentaria já depois da fita rodada, e com bom-humor, terem conseguido um ver

‘Natal Amargo’: Almodóvar vê-se ao espelho da autoficção
Madrid, 2004. É quase Natal e Elsa (Bárbara Lennie), uma realizadora que fez duas longas-metragens e depois teve que se dedicar à publicidade por não conseguir arranjar financiamento para continuar a rodar filmes, tem uma violenta enxaqueca durante um feriado com ponte, e pede ao namorado, Bonifacio, mais novo do que ela e que é bombeiro e stripper em part-time, que a leve às Urgências. Elsa tem outros problemas. A mãe está num lar e muito mal, uma das suas melhores amigas, Patricia, que tem um filho pequeno, descobriu que o marido, que foi a Paris em trabalho, poderá tê-la enganado lá com outra mulher; e devido à enxaqueca, e a um ataque de pânico que teve a seguir, não deverá poder ir visitar outra amiga, Natalia, uma modelo que há dois anos perdeu o filho num desastre com o automóvel que conduzia, e foi depois refugiar-se na casa da mãe, na aldeia em que nasceu.
Elsa é uma das personagens principais de Natal Amargo, de Pedro Almodóvar. E é também uma ficção, criada pelo alter ego de Almodóvar nesta fita, Raúl Rossetti (Leonardo Sbaraglia), em 2025. Raúl é um realizador consagrado mas que sofre de bloqueio criativo e não fez um filme nos últimos cinco anos. Vive com o namorado, Santi, também mais novo do que ele, e tem muita esperança neste argumento – intitulado Natal Amargo, está claro – que poderá representar o seu regresso em grande à realização. No guião, que tem muito de autobiográfico, Elsa está para Raúl como Bonifacio está para Santi.
Raúl tem uma grande amiga, Món

O Pátio das Antigas: O estádio erguido sobre uma pedreira
Faz em breve 70 anos que o Estádio do Restelo, a “casa” do Belenenses, foi inaugurado. No dia 23 de Setembro de 1956, este complexo desportivo abriu as portas a adeptos e atletas, com um jogo em que o Clube de Futebol Os Belenenses bateu o Sporting por 2-1. Projectado pelos arquitectos Carlos Ramos e Jorge Viana, o Estádio do Restelo veio substituir o histórico Campo das Salésias, inaugurado em 1928 (e depois rebaptizado Estádio José Manuel Soares, em homenagem a um jogador do clube, também conhecido como Pepe), e que era então o mais moderno de todo o país.
Antes, o Belenenses tinha estado no chamado Campo do Pau de Fio, e jogado no emprestado Estádio do Lumiar. Foi sobre uma antiga pedreira, num terreno cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, por troca com o das Salésias, que o Estádio do Restelo se ergueu, financiado ao longo de vários anos pelo clube através da venda de jogadores, e das contribuições de sócios e adeptos. Tinha instalações únicas para o tempo e lotação para quase 45 mil espectadores.
Foi o primeiro estádio em Portugal a ser palco de um concerto de rock, dos Police, em 1980, tendo-se-lhes seguido bandas como os AC/DC, Pearl Jam, Radiohead ou Metallica, entre muitas outras, bem como vários festivais. A 10 de Maio de 1991, o Papa João Paulo II celebrou ali uma missa, quando da sua visita a Portugal. Nesse dia, o Estádio do Restelo recebeu mais de 100 mil pessoas.
Coisas e loisas de outras eras
+ O Cristo Rei em plena construção
+ Pinóquio, ontem loja de brin

‘A Revolta’: fúria e sangue na Inglaterra medieval
Em 1383, reinava então o jovem rei Ricardo II (tinha apenas 14 anos), houve uma grande revolta camponesa em Inglaterra. As causas deste levantamento do mundo rural contra o poder real foram muitas, desde os efeitos da Peste Negra que assolou o país em 1348, matou cerca de metade da população inglesa e originou uma crise nos campos e uma pronunciada baixa da produtividade num país então essencialmente rural, até aos problemas sociais e económicos causados pela Guerra dos Cem Anos (nomeadamente, a subida dos impostos para subsidiar as despesas militares), entre outros factores. O seu líder foi um agricultor chamado Wat Tyler, que acabaria morto pelos homens do rei.
Foi nesta célebre e brutal revolta do século XIV, conhecida como A Revolta dos Camponeses, A Grande Sublevação ou ainda a Rebelião de Wat Tyler, que Paul Greengrass, o realizador de filmes tão variados como Domingo Sangrento, Supremacia, Voo 93 ou Capitão Phillips, se inspirou para conceber e rodar A Revolta, cujo argumento também escreveu. O filme, anunciado em 2022, começou por se chamar The Hood, dado que a figura de Wat Tyler é apontada por alguns como estando na base da de Robin dos Bosques e da sua lenda (embora este herói e os seus feitos sejam geralmente associados ao reinado de Ricardo Coração de Leão, dois séculos antes), tendo Benedict Cumberbatch no papel principal.
Mais tarde, o filme foi reintitulado The Rage e Matthew McConaughey anunciado como substituto de Cumberbatch. Isto para, pouco tempo depois,

Soy Cuba’: o filme soviético-cubano salvo pelos americanos
No final de Fevereiro de 1963, o realizador russo Mikhail Kalatozov começou a rodar em Cuba uma grande produção intitulada Soy Cuba, um panegírico formalmente arrojado da revolução castrista que havia derrubado o regime autoritário e pró-americano de Fulgencio Baptista, e glorificador da ideologia comunista. Por essa altura, as relações entre Havana e Moscovo – que estavam no auge quando foi decidida a parceria cultural para rodar Soy Cuba –, haviam sido prejudicadas pela recente Crise dos Mísseis Cubanos. Nikita Khruschev tinha decidido retirar os seus mísseis do solo cubano sem consultar Fidel Castro. E este havia enviado a população em protesto para a rua, gritando frases como “Nikita, mariquita, lo que se da no se quita!”.
Apesar do ambiente de protesto contra a União Soviética orquestrado pelo governo que se vivia então em Cuba, a rodagem deste ambicioso filme de propaganda, co-produzido pela Mosfilm e pelo Instituto Cubano del Arte e Industrias Cinematograficos, e escrito pelo cubano Enrique Pineda Barnet e pelo poeta “oficial” soviético Yevgeni Yevtushenko, foi para a frente. Rodado num preto e branco deliberadamente muito contrastado, e com uma narração personificada pela própria Cuba, Soy Cuba decorre entre os últimos tempos do governo de Baptista e o triunfo da revolução castrista, e é composto por quatro histórias sobre exploração, miséria e revolta colectiva.
Na primeira, uma jovem que vive num bairro da lata tem que trabalhar como prostituta num cabaré de Havana,

‘A Saga de Anatahan’: era uma vez, algures no Oceano Pacífico…
Nunca exibido em Portugal no circuito comercial, A Saga de Anatahan (1953), o derradeiro filme de Josef von Sternberg (embora o último a ser estreado tenha sido As Estradas do Inferno, em 1957), foi apenas visto no nosso país incluído em ciclos ou em sessões avulsas em instituições como a Cinemateca ou na Fundação Gulbenkian. A Midas Filmes estreia-o agora, num programa triplo neste mês de Agosto, e de que fazem ainda parte a longa-metragem de propaganda Soy Cuba (1964), de Mikhail Kalatozov (estreia dia 13), e o drama policial A Piscina (1969), de Jacques Deray (estreia dia 20), interpretado por Alain Delon, Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin.
Nesse início da década de 50, von Sternberg, o homem que descobriu e “criou” Marlene Dietrich, autor de filmes tão marcantes como A Última Ordem, O Anjo Azul, Desonrada, O Expresso de Xangai, A Imperatriz Vermelha ou Aconteceu em Xangai, já não estava nas boas graças de Hollywood. O realizador tinha, no entanto, bons contactos no Japão desde os anos 30, que restabeleceu após a II Guerra Mundial e a normalização das relações a nível internacional com aquele país, onde também gozava de grande popularidade junto do público e da crítica. Conseguiu assim, junto do produtor e distribuidor Nagamasa Kawakita, um orçamento e meios para rodar, com total controlo sobre o projecto, um filme baseado num artigo que havia lido na revista Life, sobre um facto ocorrido na remota ilha de Anatahan, situada no Oceano Pacífico e parte do Arquipéla

‘Na Companhia das Estrelas’: Ridley Scott pós-apocalíptico
No cinema, na televisão e agora também no streaming (ver, por exemplo, a série inglesa de culto dos anos 70 Survivors, e mais recentemente, a russa To the Lake, ou americanas como The Stand – que tem duas versões, em 1994 e em 2020 –, The Walking Dead, Jericho e The Last of Us), o planeta Terra já foi atingido por toda a sorte de cataclismos, que aniquilaram a grande maioria da população e deram origem a precárias e perigosas sociedades pós-apocalípticas. Foram guerras nucleares, invasões alienígenas, criaturas fantásticas, epidemias devastadoras, esgotamento dos combustíveis, ou uma multiplicidade de catástrofes cósmicas, naturais e ecológicas, que tornaram regulares e abundantes (embora nem sempre em qualidade) os filmes, telefilmes e séries desta muito popular vertente da ficção científica.
Entre os melhores, e ficando apenas pelos filmes, encontramos títulos como a trilogia Mad Max, de George Miller, Um Rapaz e o seu Cão, de L. Q. Jones, Nova Iorque 1997 e Fuga de Los Angeles, de John Carpenter, O Homem que Veio do Futuro, de Franklin J. Schaffner, os títulos dos Mortos-Vivos de George Romero, Para Além do Amanhã, de Ray Milland, O Último Combate, de Luc Besson, A Hora Final, de Stanley Kramer, Zardoz, de John Boorman, Testamento, de Lynne Littmann, Reino de Fogo, de Rob Bowman, Waterworld, de Kevin Reynolds, Quando o Mundo Cegou, de Steve Sekely, Tank Girl – Uma Mulher de Armas, de Rachel Talalay, O Último Homem na Terra, de Sidney Salkow, ou Bem-Vindo à Zombieland, de R

O Pátio das Antigas: O Cristo Rei em plena construção
O Santuário Nacional de Cristo Rei, ou Cristo Rei, foi buscar a sua inspiração ao Cristo Redentor do Corcovado, no Rio de Janeiro, após uma visita a esta cidade, em 1934, do então cardeal-patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, que teve a ideia de construir um monumento com as mesmas características em Lisboa. Em 1940, este desidério foi reforçado com o cumprimento de um voto feito pelo episcopado português em Fátima, para que Deus mantivesse Portugal fora da II Guerra Mundial.
Erguido unicamente com dinheiro proveniente de uma campanha nacional de angariação de fundos que se prolongou por vários anos, da década de 30 à de 50, o Cristo Rei foi projectado pelo arquitecto António Lino, responsável pelo pórtico, e pelo escultor Francisco Franco de Sousa, que concebeu a estátua. Instalado em Almada, o monumento tem 110 metros de altura e é uma das mais altas construções de Portugal. O lançamento da primeira pedra foi em 18 de Dezembro de 1949 e a inauguração no dia 17 de Maio de 1959, tendo cerca de 300 mil pessoas assistido à cerimónia. A fotografia desta página documenta uma fase desta obra monumental em que a estátua do Cristo Rei está já de pé sobre o pórtico, tendo sido construída na própria estrutura, recorrendo a moldes de gesso, após o que foi cuidadosamente esculpida à mão. No total, foram usadas mais de 40 mil toneladas de betão para edificar o Cristo Rei.
Coisas e loisas de outras eras
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‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’: tudo o que precisa saber sobre o filme
Faz em 2027 meio século que o Homem-Aranha, criado em 1962 por Steve Ditko e Stan Lee, apareceu pela primeira vez numa série de televisão com o seu nome (foi então exibida em Portugal pela RTP), interpretado por Nicholas Hammond, um actor que tinha aparecido num papel secundário em Música no Coração, de Robert Wise. (Antes, o super-herói havia surgido entre 1974 e 1977, numa série de pequenos sketches intitulados Super-Spidey Stories, incluídos num programa infantil chamado The Electric Company, e hoje quase totalmente esquecidos, tal como o seu intérprete, Danny Seagren.)
A série Homem-Aranha foi exibida entre 1977 e 1979 na estação CBS (que, à altura, e ironicamente, não estava muito confortável com os super-heróis dos comics, considerados demasiado infantis, o que a levou a cancelar, apesar das boas audiências, O Homem-Aranha e A Super-Mulher, esta com Lynda Carter no papel que é hoje de Gal Gadot), e os seus episódios foram depois remontados entre si para darem origem a três filmes de longa-metragem, em 1977, 1978 e 1981, todos eles exibidos nos cinemas portugueses. Em 1978, passou no Japão uma série com a personagem, embora modificada para caber nas peculiares características dos programas infanto-juvenis nipónicos (basicamente, o Homem-Aranha foi transformado num super-herói chamado… Homem-Aranha Japonês).
Por essa altura, a Marvel nem sequer sonhava que o Homem-Aranha iria transformar-se num dos super-heróis mais populares do cinema (incluindo o de animação), e do Univ

‘A Odisseia’: a mais cara e controversa adaptação de Homero ao cinema
O poema épico de Homero, que é, com A Ilíada, um dos maiores e mais perenes da história da humanidade, fascinou o cinema desde o tempo do mudo, datando a sua primeira transposição à tela de 1911, numa versão muda assinada pelo italiano Giuseppe de Liguoro. Mas só mais de 40 anos depois, em 1954, vimos outra adaptação cinematográfica, para muitos uma das melhores – ou mesmo a melhor – de todas: Ulisses, de outro italiano, Mario Camerini, com Kirk Douglas no papel principal, e com uma interpretação histórica (o actor ficou para sempre associado à personagem no imaginário cinéfilo), Anthony Quinn como Antinous e, numa original ideia de casting, Silvana Mangano no duplo papel de Circe e de Penélope.
Mas é na televisão que encontramos duas das mais conseguidas adaptações subsequentes de A Odisseia. A primeira data de 1968 e é uma série em co-produção italiana, francesa, alemã e jugoslava, tutelada pela RAI. O jugoslavo Bekim Fehmiu desempenha o papel de Ulisses, acompanhado por nomes como Irene Papas, Renaud Verley ou Barbara Bach. Os realizadores foram três: Mario Bava, Franco Rossi e Piero Schivazappa. A segunda foi a minissérie assinada em 1997 por Andrei Konchalovsky, tendo Francis Ford Coppola como um dos produtores, através da sua Zoetrope, Armand Assante interpretando Ulisses e um elenco onde Irene Papas volta a aparecer, e que inclui Greta Scacchi, Isabella Rossellini, Christopher Lee, Eric Roberts, Vanessa Williams, Jeroen Krabbé, Geraldine Chaplin ou Bernadette Peters,

‘O Convite’: dois casais e um serão muito especial
Na base de O Convite, realizado pela actriz Olivia Wilde (é a sua terceira longa-metragem atrás das câmaras), que também interpreta, acompanhada por Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, está um filme espanhol de 2020 intitulado Sentimental, assinado por Cesc Gay, que se estreou em Portugal sem ninguém dar por ele. Gay adaptou aqui ao cinema a sua própria peça de teatro de grande sucesso, Los Vecinos de Arriba, que além dos americanos, também já atraiu a atenção de países tão variados como a Coreia do Sul, a Suíça, a Itália ou a França, onde já teve versões cinematográficas.
Desde 2021 que este remake americano estava anunciado, e o projecto passou por várias mãos antes de chegar às de Olivia Wilde, alguns anos depois. Se os argumentistas de O Convite se mantiveram os mesmos desde o início – Will McCormack e Rashida Jones –, realizador e actores mudaram desde que o projecto surgiu até começar finalmente a ser rodado. A fita esteve para ser feita por Jonathan Dayton e Valerie Faris (Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos), e Amy Adams, Paul Rudd e Tessa Thompson iam interpretar três dos quatro papéis, mas finalmente, Wilde assumiu a realização e uma das personagens, acompanhada pelos citados Rogen, Cruz e Norton.
Wilde não tenta escamotear as origens teatrais de O Convite, uma “peça de câmara” que se passa integralmente no apartamento de São Francisco de Joe (Rogen) e Angela (Wilde), casados e com uma filha de 12 anos. O seu matrimónio está a desfazer-se porque deixar

O Pátio das Antigas: Pinóquio, ontem loja de brinquedos, hoje restaurante
Em Agosto de 1950, em pleno Verão lisboeta, abriu nos Restauradores, mesmo ao fim da praça, no canto esquerdo, junto ao quiosque homónimo, aquela que foi uma das melhores lojas de brinquedos da capital: a Pinóquio. Escrevia, à altura, o Diário de Lisboa, citado pelo blogue Restos de Colecção: “Os olhos de todos os meninos de Lisboa – e dos adultos também – vão ficar cativados por esse mundo maravilhoso onde não faltará nada para fazer a alegria de um pequenito”. A loja juntava-se, naquele ramo de comércio e na localização, às prestigiadas Biagio Flora e Kermesse de Paris, que ficavam no lado oposto dos Restauradores.
Além de brinquedos, a Pinóquio vendia ainda artigos para crianças e bebés, desde roupas a carrinhos. E como as duas atrás citadas, tornou-se num endereço obrigatório para a miudagem ir ver brinquedos na Baixa, uma verdadeira caverna de Ali-Babá do género. A Pinóquio tinha também o seu próprio Pai Natal, que todos os anos, na quadra natalícia, estacionava o seu trenó puxado por renas (de cartão…) à porta, e tirava fotografias com os mais pequenos, trazendo também consigo “as últimas novidades em brinquedos nacionais e estrangeiros”, como rezava então a publicidade. A Pinóquio fechou em 1980. Em 1982, e mantendo o nome, abriu em seu lugar um restaurante e cervejaria, que ainda lá hoje se mantém.
Coisas e loisas de outras eras
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